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Inadimplência em linhas mais utilizadas por empresas recua
Para capital de giro no quarto mês foi de 2,1%, um recuo de 2,6 pontos comparado com o mesmo período de 2013.
A inadimplência das empresas para o desconto de cheques e capital de giro a prazos menores recuou em 12 meses, segundo dados do Banco Central. Para desconto de cheques especial a queda foi de 0,7 ponto percentual, fechando abril em 2,8%. Para capital de giro no quarto mês foi de 2,1%, um recuo de 2,6 pontos comparado com o mesmo período de 2013. Especialistas negam que esse cenário fará com que os bancos retornem com mais fôlego os empréstimos, mas concordam que o recuo se deve a maior seletividade por parte das instituições bancárias na hora de conceder o crédito.
Apesar da queda nos "calotes", o economista da Boa Vista, Flávio Calife chama a atenção para o saldo de ambas as modalidades, que recuaram se comparado com o mesmo período de 2013. Para o desconto de cheques, o saldo até abril foi de R$ 8,9 bilhões, recuo de 7,3% em 12 meses, enquanto para a capital de giro a menos de 365 dias, o volume foi de R$ 58,9 bilhões, queda de 1,5% se comparado com abril do ano passado. "Se olharmos para outras modalidades de empréstimo para pessoa jurídica, como desconto de duplicatas o aumento foi de 9,9% e para capital de giro acima de 365 foi 6,1%". Na analise de Calife, o recuo da inadimplência para as duas modalidades de crédito está relacionado a risco maiores, pois são modalidades mais procuradas por pequenas empresas, que não possui muitas alternativas para manter seu capital de giro, e também empreendimentos com possibilidades maiores de não dar certo.
O professor de Finanças da Fundação Dom Cabral, Rodrigo Zeidan, explica que a partir do final de 2012, os bancos começaram a selecionar as empresas que receberiam esse crédito. Em consequência, a melhora na qualidade dessas carteiras mudou, influenciando diretamente na queda da inadimplência para essas duas modalidades. Outra possibilidade para o recuo da inadimplência é o menor otimistas das empresas para investimentos e também as taxas de juros altas para ambos tipos de crédito (38,9% para desconto de cheques e 21,7% para capital de giro a curto prazo). Isso faz os empreendedores pensarem mais antes de solicitar o crédito, informa o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie do Rio de Janeiro, Márcio Nunes. "Os índices de confiança dos empresários vem caindo e encontra-se similar à crise financeira dos Estados Unidos em 2008", afirma.
No entanto, para o professor Rodrigo Zeidan, a queda das taxas de devedores para as linhas de credito não influenciará para que os bancos possam conceder mais empréstimos. "A economia no momento não dá sinais para que as instituições financeiras se sintam a vontade em conceder mais crédito". O economista Flávio Calife reafirma que o crescimento em 2014 será parecido com 2013, tendo mais cautela e espera tanto por parte do empresariado, como pelas instituições financeiras. Porém, ele afirma que os bancos, em algum momento, voltarão a conceder mais empréstimos. "Em algum momento eles retornarão mais fortes ao crédito, mas ainda há um cuidado muito grande para linhas com inadimplência maior, que podem crescer". O economista acredita que essa melhora possa iniciar mais entre o final desse ano e começo do próximo ano.
O professor de macroeconomia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Silvio Paixão, comenta que com a queda da produtividade, aliado a maior cautela dos empresários em busca de crédito, utilizando assim os recursos que possuem em mãos, pode influenciar na queda das taxas de juros praticadas pelos bancos. "Isso pode influenciar em uma competitividade entre as instituições financeiras, que podem diminuir as taxas para os empréstimos, estimulando e aumentando a demanda.
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